MÁQUINAS DE ADORÁVEL GRAÇA

“Gosto de pensar (e quanto antes melhor!)
numa pradaria cibernética
onde mamíferos e computadores
vivem juntos em harmonia de programação mútua,
como água pura tocando o céu límpido.”

Assim se expressou o poeta norte americano Richard Brautigan, em 1967, na primeira estrofe do seu poema Todos vigiados por Máquinas de Adorável Graça.

Brautigan expressa a emoção da utópica visão otimista que ele gosta de pensar. A tecnologia cuidando das pessoas, humanos e máquinas em harmonia numa pradaria florida. Era 1967. Hoje, 58 anos depois, o cenário é bem mais sombrio. A utopia de Brautigan praticamente não possui seguidores. Tornou-se uma possibilidade distópica ameaçadora. A visão de hoje está mais paranóica. Muito mais paranóica. Entre os temores que habitam os espíritos modernos paira o medo das máquinas. O temor de que um dia elas se tornem o nosso maior opressor. Se isto acontecer, será apenas uma troca de plantão. Sai um opressor de carne e osso e entra sua própria criação de metal e plástico. Um moderno prometeu, apontaria Mary Shelley. A criatura contra o criador.

No mundo de hoje,

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

>PRINT "RETRÔ AGIR FAZ SENTIDO"